Tecnologias avançadas de tratamento visando à remoção de cor e fenol de efluente de indústria de celulose e papel

Ana Flávia BenderI, Engenheira Ambiental (Universidade Estadual do Centro-Oeste)

Jeanette Beber de Souza, Engenheira Civil (Universidade Estadual do Centro-Oeste)

Carlos Magno de Sousa Vidal, Biólogo (Universidade Estadual do Centro-Oeste)

RESUMO

O presente artigo teve como enfoque a remoção de cor e fenol presentes em efluente proveniente da indústria de papel e celulose a partir do emprego das tecnologias avançadas: (i) coagulação/floculação/sedimentação, (ii) filtração em carvão ativado, (iii) combinação de coagulação/floculação/sedimentação com a filtração em carvão ativado. Os ensaios foram realizados em jarteste e unidade de filtração em escala de bancada. Os principais resultados obtidos foram remoções de: 89% da cor e 60% do fenol no tratamento por coagulação, floculação e sedimentação; 45% da cor e 47% do fenol no tratamento por filtração em carvão ativado e 99% da cor e acima de 93% de fenol ao tratar o efluente por ciclo completo (coagulação, floculação, sedimentação seguido de filtração). Com esse último tratamento foi possível obter efluente final com elevada qualidade e atender à legislação ambiental sob diversos aspectos.

Palavras-chave: Efluentes industriais; Tratamento terciário; Carvão ativado

INTRODUÇÃO

Quando o assunto é poluição industrial, o setor de celulose e papel atua como um personagem importante, tendo em vista a gama variada de poluentes encontrados nas emissões, bem como a quantidade significativa de água requerida nas diferentes etapas do processo produtivo, que oscila entre 15 a 100 m3/t (metros cúbicos por tonelada), dependendo do tipo de unidade industrial. A água é utilizada em várias etapas do processo fabril: descascamento e lavagem das toras no pátio de madeiras, dispersão da celulose, lavagem de polpa, produção de vapor, preparação de aditivos, entre outros. Isso traz como consequência outro aspecto ambiental importante que é a geração de consideráveis volumes de efluentes ao final do sistema, também com elevado potencial de poluição, contendo, entre outros: substâncias orgânicas originárias da própria madeira (celulose, hemicelulose, lignina); nitrogênio e fósforo, advindos do esgoto sanitário da empresa pelos refeitórios e sanitários; sólidos suspensos (cascas, fibras, areia, etc.); metais pesados, oriundos do processo de produção do papel; compostos organoclorados; ácidos, além dos compostos fenólicos e os que geram cor (Thompson et al., 2001; Lacorte et al., 2003).

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