Renaturalização de rios usando eucalipto: um exemplo de como o setor de celulose e papel pode gerar impactos positivos sobre a biodiversidade

Por:
Tatiana Heid Furley
Fundadora e Membro do Conselho Deliberativo e de Inovação da Aplysia

A mata ciliar exerce um papel muito importante na vida dos rios, “alimentando-os” com sombra, folhas e galhos. A sombra ajuda no controle da temperatura da água, as folhas servem de fonte de alimento e nutrientes, e os galhos que chegam aos rios exercem papel  importante na  regulação do fluxo de água, tanto retardando  o escoamento evitando enchentes, quanto auxiliando no reabastecimento do lençol freático; além disso, os galhos são importantes para a  qualidade da água, heterogeneidade do rio, criação de habitat e aumento da biodiversidade.

Entretanto, com a ausência da mata ciliar, esses serviços ecossistêmicos deixam de existir. A ReNaturalização é uma técnica de restauração fluvial, que trata da introdução planejada de troncos de madeira no leito de rios, desempenhando um papel coadjuvante muito rápido, enquanto a mata ciliar se restabelece. Apesar de amplamente difundida na Europa, Austrália e Estados Unidos, e comprovados os serviços ecossistêmicos obtidos (Gippel, 1995 e Correll, 2005), esta técnica foi adaptada à realidade tropical e empregada pioneiramente no Brasil em dois cursos d’água: em 200 metros do rio Mangaraí, afluente do rio Santa Maria da Vitória, no estado do Espírito Santo (Aplysia, 2017); e em aproximadamente 2.000 metros do rio Gualaxo do Norte, afluente do rio Doce, no estado de Minas Gerais (Renova, 2019). 

Aspectos Metodológicos: troncos de eucalipto

No caso da aplicação da técnica em território capixaba (ES), optou-se pelo emprego de troncos de eucalipto, madeira frequentemente utilizada em projetos desta natureza na Austrália (Brooks, 2006). O projeto teve como objetivos: aumento da retenção de sólidos nos tributários, volta da heterogeneidade geomorfológica do canal; e aumento da abundância de peixes. O material lenhoso, oriundo de plantações de eucalipto da Fibria – ES com cinco anos de idade, foi instalado em 14 locais dentro do rio Mangaraí, durante o mês de agosto de 2015, conforme design ilustrativo.

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