Novas fronteiras

Acordo entre UE e Mercosul abre novas possibilidades para o mercado de celulose

Mercosul e a UE (União Europeia) fecharam um acordo de livre comércio entre os dois blocos. O acordo é um marco após mais de vinte anos de negociações. As negociações para a resolução estavam acontecendo oficialmente desde 1999 e foram priorizadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL). A expectativa é que novas perspectivas para o mercado brasileiro na Europa possam ser concretizadas.

O acordo deve representar um incremento de US$ 87,5 bilhões (R$ 336 bilhões) em 15 anos para o PIB brasileiro, podendo chegar a US$ 125 bilhões (R$ 480 bilhões). O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de 2018 somou R$ 6,8 trilhões — o incremento potencial em 15 anos representa, portanto, 7% do montante atual.

ESTRUTURAÇÃO

O acordo comercial cobre temas tarifários e regulatórios, incluindo serviços, investimentos, compras governamentais, barreiras, medidas sanitárias e propriedade intelectual, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Agricultura. O documento prevê que mais de 90% das exportações do Mercosul terão tarifa zero em até dez anos. Além disso, as exportações que não tiverem tarifas zeradas, terão reduções parciais das tarifas atuais na UE, com cotas de importação. 

As expectativas são positivas, considerando o papel da UE no comércio exterior do Mercosul. A UE é a segunda maior compradora de bens do Mercosul (20%), atrás apenas da China. As exportações do bloco sul-americano para os 28 países do bloco europeu totalizaram R$ 186 bilhões em 2018. No mesmo período, a UE vendeu para o Mercosul um total de R$ 196,7 bilhões.

O acordo entre a UE e o Mercosul é o mais amplo do tipo já negociado pelo bloco sul-americano e constituirá “uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo”, afirmaram em nota conjunta os ministérios das Relações Exteriores, da Economia e da Agricultura brasileiros. Espera-se também a redução das tarifas na exportação de produtos industriais. No setor agrícola, o acerto deve reduzir barreiras no mercado europeu para a entrada de produtos importantes para a balança comercial brasileira, como suco de laranja, frutas e café solúvel.

Os itens mais enviados do Mercosul para a UE incluem carnes, soja, café, bebidas e tabaco. Enquanto isso, o bloco compra da UE principalmente veículos e máquinas, produtos farmacêuticos e químicos e equipamentos de transporte. “Os exportadores brasileiros obterão ampliação do acesso, por meio de quotas, para carnes, açúcar e etanol, entre outros”, relata a nota. 

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